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Sábado, 30 de Setembro de 2006
Fecundação. Desenvolvimento embrionário. Parto e aleitamento


Fecundação



A fecundação ocorre no primeiro terço das trompas de Falópio.


O movimento dos espermatozóides ao longo do aparelho reprodutor feminino é condicionado e determinado por diversos factores:

  • Factores associados à própria estrutura dos espermatozóides;

  • Secreções produzidas pela vagina e pelo colo do útero;

  • As secreções são produzidas sob a forma de um muco, essencialmente constituído por glicoproteínas, sais e água.

  • O volume e a consistência deste muco variam com o ciclo ovárico, em resposta às variações hormonais de estrogénios e progesterona:

        1. O aumento da concentração de estrogénios por volta do 14º dia estimula o colo do útero a produzir grandes quantidades de muco, que se apresenta pouco viscoso e com maior conteúdo em água. No muco ocorre associação das glicoproteínas em fibras alongadas que formam canais, facilitando a passagem dos espermatozóides no cérvix, criando assim condições favoráveis à fecundação.

        2. Quer no início quer no fim do ciclo, as concentrações hormonais específicas estimulam o cérvix a produzir um muco mais viscoso que bloqueia os canais glicoproteicos, criando uma barreira à migração dos espermatozóides.




Processo de Fecundação:

Reacção Acrossómica – série de eventos em que o acrossoma degrada a parede do oócito II, permitindo a fecundação.


  1. Reconhecimento do espermatozóide – ocorre quando a cabeça do espermatozóide entra em contacto (por reconhecimento entre marcadores superficiais – glicoproteínas) com a zona pelúcida situada externamente.

  2. Penetração na Zona Pelúcida – ocorre uma série de fusões entre a membrana externa do acrossoma, resultando na formação de canais. Estes expandem-se, permitindo que macromoléculas saiam. Destaca-se um conjunto de enzimas proteolíticas, que se dispersam, rodeando o oócito, permitindo, assim, que o espermatozóide degrade a zona pelúcida e se ligue à membrana do oócito II.

  3. Formação da membrana de fecundação – Após atravessar a zona pelúcida, o espermatozóide induz a formação de uma membrana de fecundação. As moléculas de reconhecimento desaparecem, tornando impossível a penetração de outro espermatozóide.


Com a fecundação, o oócito II é estimulado a completar a segunda divisão da meiose, formando-se um óvulo haplóide e o segundo glóbulo polar – composto quase exclusivamente pelo núcleo, com reduzido conteúdo citoplasmático – que degenera.

Em aproximadamente 12 horas, a membrana nuclear do óvulo desaparece, havendo fusão dos 23 cromossomas do espermatozóide – cariogamia (fusão dos núcleos).

                Formação de um zigoto diplóide com 2n=46 cromossomas.

Reacção Cortical - Imediatamente a seguir a ocorrer a cariogamia, constata-se a exocitose de grânulos corticais para a periferia do óvulo, entre a zona pelúcida e a membrana plasmática, formando uma nova camada que dificulta a ligação e penetração por mais espermatozóides.



Desenvolvimento Embrionário



  • Fase Germinal (2 primeiras semanas após a fecundação):


1. Segmentação (Zigoto Emb. monodérmico) (6/7 dias):

Decorre enquanto o zigoto se desloca pela trompa de Falópio até ao útero.

Cerca de 24h após a fecundação, o zigoto sofre a primeira clivagem. A partir daí, as divisões celulares prosseguem com rapidez.

Ciclos mitóticos produzem um corpo celular sólido denominado mórula. A massa deste permanece constante, de modo que cada uma das células fica menor a cada ciclo de divisão celular.

Enquanto a mórula atravessa a trompa, o folículo pós-ovulatório transforma-se no corpo lúteo e o ciclo ovárico da mãe entra na fase luteínica.

Cerca de três dias após a fecundação ter ocorrido, o embrião chega ao útero, onde permanece livre por cerca de mais três dias.

A mórula flutua livremente no lúmen do útero e é nutrida por secreções uterinas, enquanto se desenvolve até à forma embrionária denominada blastocisto.

Após esse período, fixa-se ao endométrio, num processo designado por nidação.



  • Fase Embrionária (2ª - 8ª semanas):


2. Gastrulação (Embrião monodérmico Emb. tridérmico):

Nidação – Fixação do blastocisto à parede do útero.


  • Entre o 6º e 7º dias, o blastocisto implanta-se no útero com o lado contendo o botão embrionário virado posicionado para o endométrio.

  • As células trofoblásticas apresentam microvilosidades à superfície, que se interdigitam com as células endometriais, produzem enzimas que digerem o endométrio e fagocitam as células endometriais mortas.

  • Entre o 7º e o 21º dias, o blastocisto continua a sofrer a implantação no endométrio uterino.

Anexos Embrionários – Estruturas transitórias que resultam dos folhetos germinativos e asseguram a fixação e nutrição do ser em desenvolvimento.

  • Durante a implantação, as células trofoblásticas formam microvilosidades na região externa que invadem o endométrio, assegurando a fixação do embrião. Estas células lançam para o endométrio enzimas digestivas, que criam cavidades nos tecidos maternos preenchidas por sangue que permitem a nutrição do novo ser em desenvolvimento.

  • O trofoblasto diferencia-se em Córion.

  • A ectoderme expande-se até se unir, formando a cavidade amniótica e dando origem ao Âmnio.

  • A endoderme, pelo mesmo processo, origina a Vesícula Vitelina.



Anexos Embrionários - Funções

Córion

Membrana que envolve todo o embrião e reveste outros anexos embrionários. Protege o embrião e contribui para a sua fixação na parede uterina. Constitui ainda uma ampla superfície de trocas entre o embrião e a mãe.

Âmnio

Membrana que envolve todo o embrião. Permite o desenvolvimento do embrião em meio líquido, protegendo da dessecação, dos choques mecânicos e mantendo a temperatura constante. O líquido amniótico é qualitativamente semelhante ao plasma, diferindo em termos quantitativos, uma vez que, em relação a este, contém apenas 5% das proteínas e menos glicose. Os 700 ml de líquido amniótico renovam-se continuamente a cada 2 horas.

Vesícula Vitelina

Armazena substâncias nutritivas para o embrião. Estrutura vestigial.

Alantóide

Função respiratória. Armazenamento de excreções. Estrutura vestigial.

Cordão Umbilical

Anexo exclusivo dos mamíferos, resulta da integração da vesícula vitelina e alantóide. Permite a comunicação entre o embrião e a placenta. Apresenta duas artérias e uma única veia, estruturas que garantem a nutrição e respiração do embrião.

Placenta

Anexo exclusivo dos mamíferos, resulta da fusão do córion com a mucosa uterina (anexo misto). Tem por função nutrir o embrião, promover as trocas gasosas e eliminar excreções. Para além disso, tem uma função endócrina pois produz gonadotrofina coriónica, progesterona e estrogénios.


  1. Morfogénese – Série de passos e sinais entre as células, mudança na forma e função celulares, migração e mesmo morte celular programada. Determinadas células tornam-se estrutural e bioquimicamente especializadas, por um processo de diferenciação, organizando-se em tecidos e órgãos.


  • Fase Fetal (a partir 8ª semana).



Mudanças Físicas e Hormonais durante a gravidez


Desde o início da fase luteínica, a progesterona, segregada pelo corpo lúteo, manteve o útero com espessamento máximo de forma a permitir a fixação e o desenvolvimento do feto, mesmo que ainda não tenha ocorrido a nidação.

Com a nidação, a situação do blastocisto que conseguiu a implantação está ainda longe de ser segura. Este, ao nível do córion (células trofoblásticas), sintetiza a hormona hCG (Gonadotrofina Coriónica Humana), que actua de forma semelhante à LH, mantendo o corpo amarelo a produzir estrogénios e progesterona. Estas hormonas actuam no útero, impedindo a fase menstrual, permitindo assim a nidação do blastocisto.

Entre o 1º e 2º meses, as células da placenta passam a sintetizar estrogénios e progesterona, o que durará até ao final da gravidez, verificando-se a regressão do corpo amarelo, mas a manutenção do espessamento máximo do útero.

Para além das modificações hormonais que afectam o funcionamento do sistema reprodutor feminino, outras modificações ocorrem no organismo da mãe:

    • Cardio-vasculares: aumento do volume sanguíneo da mãe para cerca de 30% no final da gravidez, aumento do débito cardíaco, melhoramentos na produção de energia.

    • Digestão e Nutrição: Os nutrientes ingeridos em excesso são armazenados durante o primeiro trimestre e utilizados durante o segundo e terceiro trimestres, quando o crescimento fetal impõe maiores necessidades do que as que podem ser atendidas pela ingestão. Aumento do apetite, aumento do tempo de trânsito pelo tubo digestivo, o que promove a reabsorção de água, provocando obstipação. Aumento médio do peso da mãe de 11-12 kg.

    • Respiratórias: Condicionamento do desempenho respiratório – dilatação capilar de todo o aparelho resp, levando ao estreitamento da faringe, laringe, traqueia e brônquios, dificultando a respiração nasal.

    • Urinárias: Aumento do peso do rim e dilatação ao nível dos ureteres. Tendência para infecções. Aumento do volume urinário diário.



Parto e Aleitamento


Parto:

Contracções fortes e esporádicas ocorrem ao longo da gravidez, mas com o aproximar do parto estas tornam-se mais fortes, regulares e frequentes. O parto inicia-se quando as contracções uterinas ocorrem com intervalos de 10 a 15 minutos.

O parto envolve contracções uterinas sob o efeito de controlos hormonais:

Oxitocina:

    • Potencia em alto grau as contracções uterinas, tornando-se estas mais fortes e rítmicas, sendo produzida nas etapas finais da gravidez.

    • No início do trabalho de parto, a pressão da cabeça do feto contra o colo uterino inicia um reflexo hormonal que aumenta a sua secreção pela hipófise posterior.

    • Estimula o útero a produzir prostaglandinas.

Prostaglandina:

    • Produzida pelo útero.

    • Activa o músculo uterino.

    • Na sua ausência, o colo do útero não se dilata de maneira adequada, impedindo a progressão normal do trabalho de parto.

Relaxina:

    • Assim como o estrogénio e a progesterona, a relaxina também é segregada inicialmente pelo corpo lúteo.

    • Na gravidez, a maior parte da relaxina provém, provavelmente, do músculo uterino e da placenta.

    • Amolece o tecido conjuntivo entre os ossos da cintura pélvica, de modo que a abertura pélvica se alargue, permitindo ao bebé atravessá-la mais facilmente na altura do parto.

    • Amolece o colo uterino, podendo contribuir para o desencadeamento do trabalho de parto no final da gestação, facilitando a actuação da oxitocina.

Progesterona:

- Inibe as contracções uterinas, pelo que a sua produção tem que cessar uns dias antes do parto, permitindo a actuação de todas as outras hormonas associadas ao desencadear do trabalho de parto.


 

Aleitamento:

Uma série de hormonas (estrogénio, progesterona, prolactina) estimulam o desenvolvimento do peito, que aumenta de tamanho durante a gravidez, adquirindo uma maior complexidade ao nível do sistema de ductos e alvéolos.

Todavia, as elevadas concentrações de estrogénio e progesterona durante a gravidez impedem a produção de leite materno.

A expulsão da placenta no parto acarreta uma diminuição da concentração daquelas hormonas, permitindo a acção estimuladora da prolactina (sintetizada na hipófise) na síntese de leite materno nos alvéolos e no seu direccionamento para os ductos. Estes encontram-se circundados por músculo liso que acaba por encaminhar o leite até ao mamilo por meio de canais.

Após o nascimento, a secreção basal de prolactina retorna, em poucas semanas, aos níveis anteriores à gravidez, ocorrendo apenas picos de secreção cada vez que a mãe amamenta. A sucção do bebé provoca uma estimulação da hipófise, libertando prolactina. O pico de concentração pode durar uma hora, produzindo-se leite que fica armazenado para a amamentação seguinte.

O leite resulta da extracção de uma série de substâncias do sangue – glicose, aminoácidos, gorduras...

A oxitocina também actua na estimulação da produção de leite materno, estimulando a sua ejecção em consequência da estimulação do peito. Tal como a prolactina, a oxitocina é libertada periodicamente, em resposta aos momentos de aleitamento.

Se a ausência de estimulação se prolongar, não se verifica a produção de leite, podendo esta parar ao fim de cerca de sete dias.

Em condições normais, verifica-se a diminuição da produção de leite entre os 7º e 8º meses, mas o peito pode prolongar a produção de leite por vários anos.

Aleitamento e ciclo menstrual: A prolactina, libertada pela estimulação da sicção, inibe a produção de GnRH pelo hipotálamo, e consequente diminuição da concentração de FSH e LH. Desta forma, o aleitamento tende a diminuir a fertilidade feminina, pois os níveis de estrogénio e progesterona são reduzidos, não ocorrendo os ciclos ovárico e menstrual.


música: U1 - Reprodução Humana e Controlo da fertilidade

publicado por Ana Silva Martins às 22:53
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