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Sábado, 30 de Setembro de 2006
Exploração das Potencialidades da Biosfera - Controlo de Pragas


Controlo de Pragas


  • Praga – abundância de indivíduos de uma espécie indesejável para o ser humano. As pragas disseminam doenças, competem pelo alimento, invadem campos de cultura e jardins ou são, simplesmente, incómodas.

      • Em ecossistemas naturais e agrossistemas de policultura, as populações das espécies consideradas como pragas encontram-se em equílibrio dinâmico com as populações de predadores e de espécies patogénicas e os danos que causam a estes sistemas não são muito graves.

      • Em agrossistemas de monocultura, a falta de biodiversidade limita as interacções entre diferentes populações e as pragas tornam-se um problema grave que é tradicionalmente combatido pela aplicação de agentes biocidas.


  • Pesticida – produto químico utilizado no controlo de pragas.

      • Os biocidas, dependendo da sua composição, actuam a diferentes níveis:

          • reguladores de crescimento, inibindo-o;

          • inibidores de biossíntese de ácidos nucleícos, lípidos ou pigmentos;

          • inibidores do desenvolvimento de plântulas;

          • inibidores de fotossíntese;

          • desorganizadores da membrana plasmática.

      • Os pesticidas caracterizam-se pelo seu espectro de acção e persistência.

          • Espectro de acção – está relacionado com a quantidade de espécies para as quais é tóxico.

          • Persistência – é dada pelo intervalo de tempo que permanece activo. Pesticidas com grande persistência podem permanecer activos durante alguns anos e pesticidas com baixa persistência são activos durante algumas horas.

      • A utilização de pesticidas, embora permita aumentar a produtividade agrícola e combater a expansão de certas doenças, apresenta desvantagens:

          • leva ao desenvolvimento de variedades resistentes por um mecanismo de selecção natural dirigida. O desenvolvimento destas variedades resistentes é tanto mais rápido quanto mais curto for o ciclo reprodutor da espécie;

          • afecta outros organismos, incluindo, por vezes, os predadores naturais das pragas, introduzindo desiquilíbrios nos ecossistemas que se podem traduzir por um agravamento das pragas;

          • pode originar:

            • bioacumulação – absorção e armazenamento das moléculas do pesticida , em tecidos ou órgão específicos, numa concentração mais elevada do que aquela que seria de esperar.

            • bioampliação – aumento da concentração do pesticida, de nível trófico para nível trófico, ao longo das cadeias alimentares.

          • Ameaça a saúde humana de forma directa, por envenenamento, e de forma indirecta, por bioacumulação e bioampliação.


Métodos alternativos de controlo de pragas:


  • Práticas de cultura alternativas:

    • Certas práticas agrícolas permitem reduzir os danos causados pelas pragas, entre as quais:

        • rotação de culturas;

        • plantação de sebes em redor das culturas, o que cria habitats para os inimigos naturais das pragas;

        • cultivo de espécies em locais onde não existam as pragas que as atacam;

        • ajuste dos ciclos de cultura, de forma a fazer coincidir a altura de maior produção com a fase do ciclo de vida em que a praga é menos activa;

        • culturas marginais, que desviam as pragas.

  • Controlo Biológico:

    • Regulação das populações de pragas pelos seus inimigos naturais, como predadores, parasitas e agentes patogénicos.

    • É um método de regulação selectivo e não tóxico.

    • Desvantagens:

        • a tarefa de seleccionar o melhor inimigo natural e produzi-lo em grande quantidade é complexa e demorada;

        • a acção dos inimigos naturais sobre as pragas é mais lenta do que a dos pesticidas químicos;

        • na falta de um controlo rigoroso, as populações dos inimigos naturais podem aumentar e transformar-se numa nova praga.




  • Esterilização de insectos:

    • Machos de insectos criados em laboratório e tornados estéreis são libertados numa zona infestada. O seu acasalamento com as fêmeas não produz descendência e a população da praga diminui.

    • Desvantagens:

        • funciona apenas com algumas espécies;

        • é dispendioso;

        • requer uma aplicação continua, o que se traduz na necessidade de grandes quantidades de machos.

  • Utilização de feromonas:

    • As feromonas são substâncias produzidas pelos animais e que lhes permitem estabelecer comunicação. Nos insectos, são libertadas na altura do acasalamento para atrair o parceiro.

    • As feromonas podem ser colocadas em armadilhas, atraindo os insectos e desviando-os das culturas. Podem, também, ser utilizadas para atrair os predadores ou parasitas naturais.

    • Vantagens:

        • têm uma acção muito específica;

        • são totalmente inócuas para o homem e animais domésticos;

        • servem para detectar precocemente as pragas;

        • respeitam o equilíbrio ecológico;

        • não incorporam resíduos tóxicos nos alimentos;

        • não desencadeiam nenhum mecanismo de resistência nas pragas.

    • Desvantagens: a identificação, o isolamento e a produção de uma feromona é um processo demorado e dispendioso.

  • Utilização de hormonas:

    • As hormonas juvenis e de muda controlam o desenvolvimento e a reprodução dos insectos em diferentes momentos do seu ciclo de vida. A aplicação de hormonas sintéticas ou outras substâncias que interfiram com as hormonas naturais pode impedir que se complete o ciclo de vida do insecto.

    • A utilização de auxinas em campos de cultivo de monocotiledóneas permite controlar a proliferação de ervas daninhas. Como essas plantas são menos sensíveis às auxinas que as dicotiledóneas, a aplicação de grandes quantidades dessa hormona impede o crescimento de dicotiledóneas indesejáveis, sem afectar o desenvolvimento das monocotiledóneas

  • Biopesticidas:

    • Alguns microorganismos produzem toxinas, específicas e biodegradáveis, que podem ser utilizadas como pesticidas biológicos.

    • As toxinas Bt são aplicadas às culturas, protegendo-as das pragas de insectos, sem afectar os organismos de outros grupos.

  • Engenharia Genética:

    • A tecnologia do DNA recombinante pode ser usada para a introdução nas plantas de genes que codificam a produção de toxinas ou outras substâncias com acção pesticida. As toxinas Bt, quitinases e lisozima são algumas dessas substâncias.

    • A transformação genética permite aumentar a especificidade, eficiência e estabilidade dos biopesticidas e já foi testada em várias espécies de plantas.

  • Controlo Integrado:

    • O controlo integrado não tem como objectivo a erradicação das pragas, mas a sua redução e manutenção em níveis economicamente aceitáveis.

    • Os programas de controlo integrado de pragas baseiam-se no conhecimento e na avaliação do sistema ecológico formado pela cultura, pragas que a atacam, inimigos naturais, condições ambientais e outras, e associam diferentes métodos com o objectivo de aliar a produtividade das culturas à redução dos riscos ambientais.

    • A aplicação destes programas é complexa e demorada.


música: U4 - Produção de Alimentos e Sustentabilidade
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publicado por Ana Silva Martins às 22:16
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